Terceiro filho de Bolsonaro afirma que, sem anistia geral, Brasil caminha para uma “Brazuela”, em referência à ditadura na Venezuela
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta sexta-feira (11) que a suspensão do tarifaço imposto ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só deve ocorrer mediante uma “anistia ampla, geral e irrestrita”. A declaração ocorreu após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reunir com o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar.
Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro alertou para o que classificou como risco de o país se transformar em uma “Brazuela” — combinação entre Brasil e Venezuela — caso Trump recue sem essa condição. Ele se referiu ao atual cenário político brasileiro como uma “ditadura” e comparou a medida de taxação norte-americana à reação de um líder comprometido com a liberdade.
“Não dá para pedir ao presidente Trump — e a nenhuma autoridade internacional decente — que trate uma ditadura como democracia. Ou há uma anistia ampla para começar, ou bem-vindos à ‘Brazuela’”, escreveu.
Eduardo reforçou que, em sua visão, a suspensão da tarifa sem anistia significaria permitir uma eleição presidencial em 2026 sem a presença da oposição, mantendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível ou preso. Ele também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e comparou a atuação do Judiciário à censura imposta na China.
Ele também argumentou que suspender a tarifa sem exigir mudanças no cenário político brasileiro representaria um fortalecimento do ministro Alexandre de Moraes, com mais censura às redes sociais — “pior que na China”, segundo ele — e a continuidade de prisões consideradas arbitrárias, citando como exemplo o caso do deputado Daniel Silveira e de “velhinhas presas” sob regras de progressão de regime incomuns.
Eduardo, que já foi beneficiado por liberdade condicional em 2024, teve o benefício revogado após descumprir regras impostas, justificando o episódio com questões de saúde. Ele permanece sob medidas cautelares.
Mais cedo, Tarcísio de Freitas informou que, durante a reunião com o diplomata americano, apresentou argumentos para que Trump reveja a taxação, alegando impactos graves sobre a indústria e o agronegócio tanto brasileiros quanto americanos.
“Vamos abrir diálogo com as empresas paulistas, com base em dados e argumentos sólidos, para buscar soluções. É preciso negociar”, afirmou o governador.
Trump, por sua vez, justificou a medida alegando perseguição política a Bolsonaro no Brasil, referindo-se ao processo judicial que apura a tentativa de golpe após as eleições de 2022. O republicano classificou o cenário como uma “caça às bruxas” e exigiu o fim das investigações.
Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
