Deputado diz temer prisão caso volte ao Brasil e acusa Moraes de perseguição; PT pede cassação do mandato
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou nesta segunda-feira (14) que não pretende retornar ao Brasil e que abrirá mão do mandato parlamentar. Em entrevista à Roseann Kennedy, da Coluna do Estadão, ele justificou a decisão com receio de ser “perseguido e preso” pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Nos Estados Unidos desde março, Eduardo afirmou que teme sofrer medidas como apreensão de passaporte e abertura de novos inquéritos, que, segundo ele, seriam utilizadas para intimidar parlamentares de direita. Ele classificou o ambiente político brasileiro como uma “falta de normalidade democrática” e disse que se sente mais livre para atuar politicamente fora do país.
Eduardo afirmou que só voltará ao Brasil quando Moraes “não tiver mais forças para prendê-lo”, acrescentando que não se submeterá às ações do ministro.
“No Brasil, o STF, quer dizer, Alexandre de Moraes, ia tentar colocar uma coleira em mim, tirar meu passaporte, me fazer de refém, ficar ameaçando, como ele sempre faz – mandando a Polícia Federal na Casa, abrindo inquérito, inquirindo pessoas ao meu entorno. Então, eu não vou me sujeitar a fazer isso. E eu não preciso mais de um diploma de deputado federal para abrir portas e os acessos que tenho aqui”, comentou
O parlamentar também disse não precisar mais do mandato para manter seus contatos e acesso político nos Estados Unidos e rejeitou o rótulo de “fujão”. Ele alegou estar confiante na decisão e ressaltou o apoio que tem recebido de brasileiros no exterior.
“Eu não vou cometer o erro, por exemplo, que o Anderson Torres (ex-ministro da Justiça) cometeu, de retornar ao Brasil achando que teria um julgamento decente e minimamente constitucional”, afirmou.
Petistas pedem cassação do mandato
Na noite de domingo (13), o diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou um pedido no STF solicitando a cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro. A legenda acusa o deputado de atentar contra os interesses do Brasil ao, supostamente, articular com autoridades dos Estados Unidos a imposição de sanções econômicas ao país.
A petição foi apresentada após o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo o PT, Eduardo teria incentivado a medida como forma de pressionar o Judiciário brasileiro e proteger seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de investigações em andamento.
Para o partido, o deputado violou o decoro parlamentar e afrontou a soberania nacional ao buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil.
Foto: Reuters/Elizabeth Frantz
