Governador de Goiás afirma que decisões do Governo Federal e do STF favorecem o avanço de facções em áreas vulneráveis do RJ
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF) por, segundo ele, permitirem que favelas do Rio de Janeiro sirvam de “escudo” para criminosos. De acordo com o governador, a atuação das autoridades federais estaria dificultando ações policiais nessas áreas, o que pode favorecer a impunidade e o fortalecimento do crime organizado.
As declarações foram feitas nesta quinta-feira (22), em suas redes sociais. Caiado afirmou que a “blindagem” do STF e a “covardia” do governo Lula têm contribuído para a consolidação de territórios dominados por facções criminosas. Ele também mencionou Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n° 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que restringe operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
Entre as medidas da ação estão a exigência de justificativas formais para as operações, autorização prévia do Ministério Público, registro detalhado e a proibição do uso de helicópteros como base de tiro. As determinações foram adotadas como resposta ao elevado número de mortes em intervenções policiais no estado.
“A Polícia Civil de Goiás prendeu uma quadrilha de traficantes responsável por cinco dos treze assassinatos registrados em Trindade no último ano. Mas o líder do grupo fugiu para o Complexo do Alemão, no Rio, e está protegido por uma facção criminosa aliada. Nossa polícia está de mãos atadas por causa dessa ADPF 635, que impede a entrada da polícia nas favelas”, afirmou Caiado.
Para o governador, essas limitações têm favorecido a expansão das facções criminosas. “Esse é o resultado da política de leniência e acovardamento do governo federal, que, a cada dia, cede mais espaço para o crime organizado. Quem sofre é o povo de bem, inclusive quem vive nessas comunidades. Se querem acabar com o crime, tem que valer em todo o Brasil”, afirmou.
A crítica ocorre no contexto da Operação Hidra, realizada nesta semana pela Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo de Repressão a Narcóticos (Genarc) de Trindade. A ofensiva resultou na prisão de 19 suspeitos ligados ao tráfico de drogas e a homicídios na cidade. Segundo as investigações, o grupo movimentou cerca de R$ 1 milhão em oito meses e está vinculado a pelo menos cinco assassinatos ocorridos em 2024.
O principal alvo da operação, Thiago Júlio Vitorino dos Santos, conhecido como “Montanha”, de 27 anos, permanece foragido. De acordo com o delegado Douglas Pedrosa, ele está escondido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde recebe apoio logístico do Comando Vermelho. “A favela carioca virou hotel para traficantes. Lá eles têm a proteção da facção e da geografia local. Temos pelo menos outros três traficantes escondidos no Rio, comandando crimes à distância”, declarou.
Mesmo com a localização dos foragidos confirmada, a Polícia Civil enfrenta entraves legais para realizar prisões fora do estado. “A polícia do Rio quer ajudar, mas está limitada pelas decisões do STF”, lamentou Pedrosa.
O delegado-geral da Polícia Civil, André Ganga, destacou que esse é um desafio recorrente. “Em 2024, realizamos 151 operações fora de Goiás. Dessas, 454 criminosos foram presos em outros estados, sendo 78 somente no Rio de Janeiro”, afirmou.
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, foi ajuizada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), com o apoio de entidades de direitos humanos. A ação busca frear abusos e reduzir a letalidade das operações policiais nas comunidades cariocas. No entanto, na avaliação de Caiado e das autoridades goianas, a medida tem provocado impactos negativos ao dificultar o enfrentamento ao crime organizado em nível nacional.
Com informações do Diário de Goiás
Foto: Brenno Carvalho/O Globo
