Prefeito promete regularização até o fim do ano
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), voltou a defender o funcionamento do Aterro Sanitário da capital e reafirmou a intenção de manter a gestão pública do local. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (30), Mabel afirmou que o espaço opera com segurança e que passará por ajustes técnicos até o final do ano.
Ele também voltou a criticar o relatório técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que apontou falhas estruturais e riscos ambientais, e alegou pressão de setores privados para inviabilizar o aterro municipal.
“Quero acabar com essa máfia do lixo, que quer que a Prefeitura pague R$ 10 milhões por mês para enviar os resíduos a um aterro privado. Hoje gastamos R$ 1,5 milhão com o nosso aterro. Vamos corrigir o que precisa e seguir com ele funcionando como deve ser”, declarou o prefeito.
O relatório da Semad foi elaborado com base em vistorias realizadas entre janeiro e abril deste ano. Entre os problemas apontados estão ausência de licenças ambientais válidas, operação acima da capacidade prevista, risco de contaminação ambiental e impactos negativos nas comunidades vizinhas, como mau cheiro, proliferação de pragas e risco à aviação civil, já que o aterro fica a cerca de 2 km do Aeródromo Nacional de Aviação (SBNV).
Durante a visita ao aterro, feita ao lado de secretários e técnicos da prefeitura, Mabel rebateu as denúncias. No vídeo, ele mostra a estrutura de queima de gás e a cobertura do lixo, destacando o uso de maquinário para compactação adequada dos resíduos.
“Isso aqui não é lixão. Tem tecnologia e responsabilidade. O trator está operando, o gás está sendo queimado. Estamos implantando mais controles”, afirmou.
Mabel também anunciou uma contratação emergencial para reforçar o monitoramento ambiental do aterro e prometeu que todas as correções exigidas serão concluídas até dezembro, conforme cronograma definido pela gestão.
Incompatibilidade e investigação
Apesar da defesa do prefeito, a Semad classificou o funcionamento do aterro como incompatível com as normas ambientais vigentes, recomendando a suspensão das atividades e a implantação de novos sistemas de drenagem e tratamento de efluentes. O Ministério Público de Goiás (MPGO) acompanha o caso e avalia a possibilidade de responsabilização dos gestores públicos.
Na última sexta-feira (27), Mabel já havia criticado publicamente a titular da Semad, Andréa Vulcanis, durante uma coletiva. Segundo ele, o relatório da pasta estaria alinhado a interesses empresariais que pressionam pela contratação de serviços privados para o manejo de resíduos.
A Prefeitura de Goiânia também informou que está em tratativas com o BNDES para reformular o modelo de gestão de resíduos sólidos na capital.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
